
Era involuntário, qualquer movimento servia de impulso para a imaginação. Estava sentada num banco de praça perplexa por haver ali tantas histórias a serem contadas. Talvez um livro de contos não seria suficiente, talvez um livro para cada história não bastaria. E tentava entender porque ainda existia pessoas que julgavam aqueles livros que perambulavam pela cidade, uns apressados outros apenas vendo a vida passar. Perguntava-se o que levava os seres humanos a julgarem um livro pela capa ou pelo resumo da contracapa. Ela se interessava por cada história particular, queria de certa forma ler e reler cada capítulo. E, numa atitude tola, tentava adivinhar quais os fatos conduziram ao clímax do agora. E queria entender porque os seres julgavam tanto a ponto de esquecer que eles próprios tinham histórias, que eles próprios tinham motivos o suficiente para ter certas atitudes. De certa forma esses seres ignoravam que também eram livros, como se eles não quisessem aceitar o que são ou como se achassem sábios o suficiente para condenar uma má história. Ficava confusa com essas questões aparentemente sem respostas, ela só queria entender. Concluiu, enfim, que o único sábio dessa vida é o Autor, o possuidor de uma criatividade inatingível, incapaz de julgar suas próprias obras.